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Dr. Sandro Fenelon
CREMESP 107.411
Médico radiologista / imaginologista - Imaginologia Abdominal e Torácica
Especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem
São Paulo, SP - Brasil
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Guia para a propedêutica por imagem das principais doenças, com orientações que permitem encurtar o caminho diagnóstico através dos métodos de imagem, além de estabelecer algoritmos que visam reduzir a quantidade de exames necessários ao diagnóstico.
Dia do radiologista
Em 08 de novembro é comemorado o dia do radiologista devido a descoberta dos raios x por Wilhelm Conrad Roentgen em 08 de novembro de 1895.
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JORNAL ID – INTERAÇÃO DIAGNÓSTICA
Editor e jornalista responsável: Luiz Carlos de Almeida
Dr. Sandro Fenelon é membro do conselho consultivo do Jornal Interação Diagnóstica
O Jornal Interação Diagnóstica é uma publicação bimestral destinada a médicos e demais profissionais que atuam na área de radiologia e diagnóstico por imagem e especialistas correlacionados nas áreas de urologia, nefrologia, gastroenterologia, pneumologia, oncologia, cirurgia, mastologia, ginecologia e obstetrícia, angiologia e cirurgia vascular, cardiologia, ortopedia, neurologia, dentre outras. O propósito do Jornal é selecionar e disseminar conteúdos de qualidade científica na área de Imaginologia.
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Radiologista
"Médico que é especialista em radiologia"
Fonte: Dicionário Michaelis
O que é ser um médico radiologista?
Fonte: Brasil Profissões
No Brasil a radiologia ou diagnóstico por imagem é conhecida como uma das especializações da medicina, ciência que estuda órgãos ou estruturas através da utilização de raios-x que envolve um processo de revelação. Esses avançados aparelhos permitem, através de imagens do corpo humano, definir e diagnosticar doenças. O médico radiologista é o profissional responsável pela realização de exames, análise e interpretação das imagens obtidas através de raios-x e, também, pela emissão de laudos ou relatórios. O radiologista, bem como todos os profissionais da área da saúde, devem priorizar o bem-estar da sociedade e dos pacientes, e, por isso, devem seguir à risca o Código de Ética Profissional.
Quais as características necessárias para ser um radiologista?
Primeiramente, o indivíduo que se propõe a fazer medicina deve ter grande gosto por ler e estudar, já que a profissão demanda anos de dedicação.
Características desejáveis:
autoconfiança
autocontrole
capacidade de decisão
capacidade de lidar com enfermidades graves
capacidade de pensar e agir sob pressão
interesse pela ciência e pelo corpo humano
paciência
discrição
equilíbrio emocional
espírito solidário
constante atualização
domínio da tecnologia de todos os equipamentos utilizados
conhecer a legislação sobre proteção radiológica
Qual a formação necessária para ser um radiologista?
O profissional que for seguir a carreira de radiologia deverá ter uma formação de curso superior completa em medicina, para então se especializar em Radiologia e Diagnóstico por Imagem curso devidamente reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina. O curso envolve uma variedade de técnicas e inclui Radiologia Convencional, Radiologia Contrastada, Ultra-Sonografia, Medicina Nuclear, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética e Densitometria. Durante ou após a especialização o médico radiologista deve fazer residência medica para colocar em prática os conhecimentos aprendidos no curso. O programa de residência deve oferecer o mínimo de três anos de educação supervisionada por profissionais altamente qualificados (incluindo férias e períodos de congressos) nos campos de Radiologia ou Diagnóstico por Imagem.
Portanto, o médico radiologista tem necessidade de atualização constante e que exige muita dedicação, através da participação em eventos, reuniões científicas e discussões de casos.
Principais atividades
As principais atividades de um radiologista variam conforme sua agenda e sua rotina. Contudo, algumas das atividades básicas durante seu dia-a-dia são:
pautar as atividades profissionais, observando as regras da radiologia;
obter imagens do corpo humano utilizando os equipamentos necessários, de acordo com a necessidade do paciente;
analisar a imagem radiológica obtida para diagnosticar se há ocorrência de doenças ou não;
elaboração de um laudo sobre as condições do paciente para que seja passado adiante aos clínicos e cirurgiões especializados.
Áreas de atuação e especialidades
Um profissional da radiologia pode atuar em diversas áreas, tais como:
Radiologia médica - envolve a geração e análise de imagens por raios X, tomografia computadorizada, ressonância magnética nuclear e medicina nuclear. As especialidades dentro da radiologia médica compreendem a atuação com mamografia, hemodinâmica, densitometria óssea, ultra-sonografia, com observação para o corpo humano em neuro-imagem, músculo-esquelético, cabeça e pescoço, tórax, mama, medicina interna, genito-urinário e vascular intervencionista.
Radiologia odontológica (dentista) - formação da imagem para diagnóstico de afecções da face, cabeça e cavidade oral.
Entre as tecnologias mais utilizadas tem-se:
- Radiografia
- Mamografia
- Ultra-sonografia
- Densitometria Óssea
- Tomografia
- Ressonância
- Angiografia
- Radiologia Intervencionista
Nas últimas décadas foram acrescentados novos métodos aos já tradicionais raios-x, como a ultra-sonografia, a ressonância nuclear magnética, novos equipamentos de tomografia computadorizada e muitos outros que contribuem para o avanço da área. O profissional pode atuar em hospitais e centros médicos públicos ou privados, e ainda pode ser um radiologista em convênios médicos, que muitas vezes compram os serviços de especialidades.
Mercado de trabalho
O mercado para o profissional de radiologia é muito vasto, sendo que existem muitas áreas e diferentes locais de atuação, além de ser uma especialidade médica que sempre se renova e avança o que atrai muitos investimentos, ou seja, mais uma grande oportunidade para os profissionais.
Hoje com o desenvolvimento tecnológico, os métodos diagnósticos por imagem possibilitam ao médico a obtenção de informações sequer imaginadas há menos de dez anos, com uma rapidez e eficiência que valorizam muito o profissional. Ninguém melhor do que o médico radiologista para mostrar todo o potencial que os métodos diagnósticos por imagem trazem para a Medicina atual. Cabe a ele valorizar a tecnologia como instrumento a serviço do médico, para oferecer ao paciente o que há de melhor.
Apesar da medicina ser um curso difícil e longo, as especializações geralmente compensam o profissional que as possuir, já que o currículo será mais elaborado. Com isso, o profissional de Radiologia pode empregar-se em hospitais de diversos níveis, tanto público quanto privado, sendo a remuneração de acordo com o local escolhido.
Curiosidades
Em 8 de novembro de 1895, Wilhelm Konrad Roentgen descobre a existência e a produção da radiação X. Hoje, sabe-se que esses raios eram correntes de elétrons, que são liberados pelo rápido movimento dos íons do gás bombardeando a superfície de um cátodo aquecido. Os íons são produzidos durante a descarga do gás. Os elétrons chocam-se contra a superfície de vidro, perdem sua energia, o vidro fica aquecido e pode-se observar efeitos luminosos (luz verde ou azul, dependendo da composição química do vidro). A superfície aquecida da parede de vidro é a fonte de raios-X.
Desde esta época, até os dias de hoje, surgiram várias modificações nos aparelhos iniciais objetivando reduzir a radiação nos pacientes, pois acima de uma certa quantidade sabia-se que era prejudicial à saúde. Assim surgiram os tubos de Raios X, diafragmas para reduzir a quantidade de Raios X e diminuir a radiação secundária que também piorava a imagem final.
Em 1920, iniciaram-se os estudos relativos à aplicação dos raios-X na inspeção de materiais dando origem à radiologia industrial.
No Brasil, Manuel de Abreu desenvolveu a Abreugrafia, um método rápido de cadastramento de pacientes para se fazer radiografias do tórax, tendo sido reconhecida mundialmente.
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Radiologia, o Radiologista e as demais especialidades
Fonte: Neto AS. A Radiologia, o Radiologista e as demais especialidades. Radiol Bras 2005, vol. 38, no. 2.
A Radiologia é uma especialidade médica que se renova e avança a cada dia, num processo de modernização que, além de investimentos, exige um esforço contínuo de atualização. Intrinsecamente ligados ao desenvolvimento tecnológico, os métodos diagnósticos por imagem possibilitam ao médico a obtenção de informações sequer imaginadas há menos de dez anos, com uma rapidez e eficiência que valorizam a Medicina como um todo.
Para que os especialistas da Radiologia e Diagnóstico por Imagem possam acompanhar a chegada de novas técnicas, seja em Radiologia Digital, Tomografia Computadorizada, Ultra-sonografia e Medicina Nuclear, o esforço é enorme, o que vem determinar o caminho da fragmentação e do afunilamento do conhecimento em subespecialidades cada vez mais restritas.
Se para o especialista que atua na área da imagem a necessidade de atualização é constante e se realiza num processo contínuo e que exige muita dedicação, através da participação em eventos, reuniões científicas e discussões de casos, para os colegas que atuam em outras áreas o conhecimento dessas novas técnicas se torna mais complexo e demanda um nível de exigência que poucos conseguem alcançar.
Talvez dessa situação resultem as inadequadas solicitações de exames que muitas vezes chegam aos serviços de imagem, que sabemos em nada contribuirão com o diagnóstico ou com o estabelecimento de propostas terapêuticas aos pacientes. Ainda assim devemos atender a essas requisições de exames, sob pena de incorrermos em infração ética.
O artigo 2 do Código de Ética Médica reza que "O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional".
Na interpretação do mestre Genival Veloso de França o "ato médico deve ser exercido de forma organizada e consciente, traduzido por técnicas, ações e recursos que tenham como meta a saúde do ser humano".
Dessa forma, os especialistas da Radiologia e Diagnóstico por Imagem devem ter uma participação ativa também na atenção básica à saúde, participar de reuniões multidisciplinares com as demais especialidades médicas, discutindo e divulgando os novos métodos de diagnóstico, permitindo a outros especialistas o conhecimento e a indicação do melhor exame para cada situação.
Ninguém melhor do que o médico radiologista para mostrar todo o potencial que os métodos diagnósticos por imagem trazem para a Medicina atual. Cabe a ele valorizar a tecnologia como instrumento a serviço do médico, para oferecer ao paciente o que há de melhor.
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Em São Paulo, 47% dos médicos não têm especialização
Fonte: Folha de São Paulo - 2008
Quase metade dos médicos que atuam no Estado de São Paulo não tem título de especialista, segundo
estudo divulgado pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina). Só 53% dos 92.580 médicos do Estado
têm algum tipo de título de especialista. Os outros 47% só concluíram a graduação. Para o órgão, isso influi na qualidade do atendimento, porque a residência médica, principal meio para conseguir um título de especialista, melhora o nível de conhecimento dos formandos. “O indivíduo quando sai da faculdade é no máximo um generalista, com todos os agravos que os nossos cursos têm. Com a residência, vai ter uma habilitação muito melhor”, disse Henrique Gonçalves, presidente do Cremesp. Para ser clínico geral, por exemplo, é preciso fazer especialização (residência) em clínica médica.
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Portaria 453 - Portaria/MS/SVS nº 453, de 01 de junho de 1998.
Aprova o regulamento técnico que estabelece as diretrizes básicas de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico, dispõe sobre o uso dos raios-x diagnósticos em todo território nacional e dá outras providências.
A implementação de programas de controle de qualidade em departamentos de diagnóstico por imagem é, atualmente, uma ação obrigatória em todo o território nacional (Portaria Ministerial 453, 1998). Segundo dados do IRD-CNEN, são cerca de 18.000 instalações de radiodiagnóstico médico e mais de 50.000 consultórios odontológicos com equipamento de raios-x. Para que determinado serviço radiológico fique regular, é necessário o cumprimento de procedimentos de medida e calibração dos equipamentos, além da verificação um número muito grande de itens. Entretanto, num país como o Brasil, muitas são as dificuldades encontradas para que as clínicas e hospitais se adaptem a portaria. A própria imensidão do território nacional é um fator que dificulta a fiscalização. Outro problema é a falta de recursos humanos, já que são poucos os cursos para a formação desses profissionais. Por outro lado, o fechamento desses centros “irregulares” acarretariam enorme prejuízo para saúde da população local, já que muitas cidades (principalmente do interior) carecem de centros médicos, principalmente de diagnóstico por imagem.
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Solicitação de exames: competência exclusiva do médico
Edenilson Feitosa é advogado da área de direito administrativo do escritório que presta assessoria jurídica ao CBR
Boletim do CBR – 2008
Não raras vezes os profissionais médicos da área de diagnóstico por imagem têm se deparado com solicitação de exame feita por profissional não médico (fisioterapeutas, enfermeiros, etc.). Ocorre que tais profissionais se dizem aptos à prática desse ato, o que de certa forma causa sérias dúvidas àqueles a quem são dirigidas as solicitações de exames. Isto porque, considerando o plexo normativo existente em nosso ordenamento jurídico, é difícil para o
médico distinguir os atos praticados por não médicos que estejam amparados
pela legislação, gerando insegurança no agir, posto que o atendimento de solicitação não amparada pela lei pode levá-lo à prática de conduta antiética.
Tem sido comum a tentativa de algumas classes profissionais procurarem ampliar suas competências profissionais em detrimento da seara médica, o que tem ensejado a atuação dos órgãos de defesa da categoria dos médicos, seja buscando a melhor interpretação sobre
as leis existentes, seja atuando junto aos parlamentares responsáveis pela elaboração de novas leis, ou ainda promovendo ações judiciais para que o Poder Judiciário possa declarar a ilegalidade ou os limites de atos normativos com forte viés corporativista.
Com efeito, no tocante à solicitação de exames clínicos e de diagnóstico, embora algumas profissões tentem avocar para si essa competência, o fato é que tal ato é privativo do médico e decorre, salvo a exceção de urgência comprovada, do exame direto e preliminar do paciente. Vale destacar que o exame diagnóstico tem natureza complementar ao atendimento prestado ao paciente pelo Médico Assistente, corroborando na identificação do diagnóstico, mas sem
prescindir da necessária avaliação das informações colhidas no exame físico e da história clínica, observando-se os termos do artigo 31 do Código de Ética Médico. Nesse sentido, aos outros profissionais da saúde, não médicos, falta competência para solicitar exames complementares em razão de não possuírem o preparo e a qualificação técnica necessária para a atividade.
Aliás, esse é o entendimento que vem sendo proclamado pelo Poder Judiciário brasileiro, a exemplo do que ocorreu no julgamento do recurso de agravo de instrumento1 interposto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nos autos da ação judicial promovida pelo citado
Conselho contra o Ministério da Saúde, em que se discutia a legalidade da Portaria MS 648/GM/2006. No julgamento do recurso os Desembargadores Federais do Eg. Tribunal
Regional Federal da 1ª Região renderam justas homenagens à classe dos enfermeiros, mas declararam que tais profissionais da saúde não gozam de liberdade para prescrição de medicamentos, diagnosticarem, enfim, solucionarem problemas de saúde eventualmente
detectados, ante a falta de qualificação técnica. E para pôr fim a qualquer discussão, os eminentes magistrados, ao decidirem pela suspensão da Portaria 648/GM/2006, concluíram que outros profissionais, que não sejam médicos legalmente habilitados para o exercício da medicina, não estão autorizados a realizar diagnóstico clínico, prescrever medicamentos, tratamentos médicos ou requisitar exames.
Vale destacar que, antes mesmo da decisão judicial mencionada, o Conselho Federal de Medicina já havia firmado posição de que o exame complementar, no caso o radiológico,
só pode ser requisitado pelo médico, conforme Parecer-Consulta CFM nº 1.445/97 - PC/CFM/Nº 27/972 e Parecer CFM nº 21/85. Nesse sentido, está sedimentado o
entendimento normativo, ético e jurisprudencial de que é ato privativo do médico a solicitação/requisição de exames complementares clínicos e/ou diagnósticos, decorrente de exame direto no paciente, de tal forma que a realização de exame sem o correspondente
pedido subscrito por médico configura infração ética.
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RX: Patinho Feio do Diagnóstico por Imagem?
Boletim do CBR – Janeiro de 2009. Dr. Cássio Gomes dos Reis Júnior
Nos idos de 1970, quem fazia radiologia e se especializava nas poucas residências pelo país,
aprendia apenas a radiologia, aquela imagem fixada em filme radiológico da qual se tirava muitas informações a respeito do estado do paciente, fazendo-se grandes diagnósticos.
A imagem estava ali, interpretavam-se aquelas sombras. Faziam-se manobras, novas posições e concluía-se. Com o tempo, e para melhor, apareceram novos métodos de diagnóstico que muito contribuíram para o aprimoramento da medicina diagnóstica por imagem como muitos artigos sobre o tema já abordaram. Atualmente temos o US, Doppler, TC e seus muitos detectores, a RM e a Radiologia que de simples vascular passou a intervencionista. Existe o PET e a cardiologia por imagem avança a passos largos. Mas e a velha radiografia a quantas anda? Ainda tem seu importante valor embora limitado, uma vez que os outros métodos
conseguem na maioria dos casos sozinhos ou em conjunto nos dar mais subsídios
para aquela descrição e conclusão anatômica e muitas vezes patológica. Limitada sim, mas ainda extremamente importante ao ponto que muitos diagnósticos e muita contribuição poderiam ser dados apenas com uma radiografia simples se bem interpretada.
O fato é que atualmente o imaginologista em começo de carreira, ainda na residência médica, parece não se interessar por este método frente aos maiores atrativos e a “beleza” dos outros. Mas por quê? É na radiografia simples que se aprende a verdadeira ciência de se interpretar e
diagnosticar através de imagens. É aí que começa a se formar a cabeça do grande radiologista, visão esta que só nossa especialidade tem. Mas ainda pergunto por qual motivo
ninguém quer mais saber da radiografia convencional, e muito menos de saber a respeito dos exames especializados?
Hoje, a radiologia convencional tem poucos especialistas em condição de ensinar este
tipo de exame e no futuro cada vez terão menos. O ensino já é desestimulado logo no começo, no primeiro ano de residência, parecendo ser um método em decadência, um método que qualquer tecnólogo pode fazer e interpretar, bastando saber algumas posições, um pouco de anatomia e uma base clínico-patológica. Ensina-se pouco e sem ênfase a radiologia
convencional, dando oportunidade a que tecnólogos façam nossos exames e quem sabe até venham a interpretá-los ou outros especialistas com freqüência até dispensam o laudo. Quem hoje realiza os exames especializados de digestivo, urogenital ou uma dacriocistografia?
Radiologistas mais antigos ainda o fazem, mas em geral é extremamente comum que tais exames sejam delegados sua realização ao técnico. E os mais jovens, sabem ver uma pequena lesão, sabem as manobras e a incidência extra que esclareceriam a patologia?
O interesse está latente, basta verem quão cheias estão as salas de radiologia convencional nos congressos e cursos. Ainda é pouco, temos que estimular mais. Difícil nos dias de hoje é saber o que ensinar ao residente a procurar numa radiografia, pois evidentemente os outros
métodos em muitos casos são superiores, mas as doenças ainda estão aí e queiram ou não podem aparecer numa simples radiografia. É mais fácil pedir logo uma TC ou US do que ficar pensando sobre aquela imagem. Em parte tem-se razão, mas e o custo?
É inegável que a medicina se modernizou e em particular nossa especialidade muito tem avançado, mas os custos também. Tudo ficou mais caro, a internação, a cirurgia, o diagnóstico e a prevenção. A TC e a RM em particular no diagnóstico por imagem, tem seu valor compatível com seu custo e é em geral bem remunerada pelas “tabelas”.
Mas o RX convencional, especialmente os exames contrastados e de quebra o US, operador-dependente, também tem seu custo alto, custo principalmente operacional, entrando revelação, agora digitalização, técnicos, auxiliares, médicos, infraestrutura, etc. Se fizermos as contas
sobra muito pouco ou quase nada frente ao valor das “tabelas”. E a grande quantidade e diversidade de exames, muito maior que em TC e RM, dificultando o preenchimento de guias,
pedidos mal feitos, glosas das mais diversas ou escabrosas. E a dificuldade de se realizar
um enema opaco com colostomia, uma sialografia em paciente idosa e edêntula, um trânsito intestinal complicado, uma uretrocistografia em criança malcriada ou simplesmente laudar radiografias de esqueleto com múltiplas anormalidades? Todos sabem que não é fácil. Com certeza é mais trabalhoso do que realizar uma TC de alta resolução ou laudar uma RM de
crânio em linhas gerais, sem desmerecer é claro estes métodos. O treinamento e pessoal necessários para se faturar em muitos exames de radiologia convencional, como dissemos, com sua grande variedade e sujeita a glosas, é muito diferente do faturamento da pouca variedade de exames de TC e RM, porém os custos frente ao valor recebido por estes exames são completamente diferentes. Portanto, frente ao baixo valor remunerado pelos exames de radiologia convencional, frente às constantes investidas dos tecnólogos que parecem querer ganhar esta fatia por nós menosprezada e frente à dificuldade de se ensinar a radiologia convencional, como estimular o jovem radiologista a conhecer as técnicas radiológicas, saber interpretar e acreditar no simples RX?
O CBR está atento a estes problemas e está investindo numa luta para restabelecer a credibilidade da radiologia convencional, tomando atitudes no sentido de tentar
melhorar a remuneração e incentivar o ensino da radiologia convencional, não
deixando que outros profissionais se apoderem do método. Esperamos, contudo a colaboração de todos, pois do jeito que as coisas andam ninguém mais vai querer fazer “RX”.
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